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Mostrando postagens de maio, 2026

Ep. 11: Is therapy for everyone?

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  The Pink Diaries - Ep. 11 Outro dia, enquanto respondia automaticamente um “estou bem” — sem nem ao menos pensar se aquilo era verdade — me peguei refletindo sobre uma das frases mais repetidas da nossa geração: “Você precisa fazer terapia.” Ela aparece em vídeos do TikTok, legendas de Instagram, brigas de relacionamento e até como insulto passivo-agressivo. “Nossa, você claramente precisa de terapia.” Como se psicoterapia tivesse virado simultaneamente recomendação médica, conselho amoroso e ameaça velada. Mas então me veio uma pergunta talvez um pouco mais desconfortável: a terapia é realmente para todo mundo? Ou melhor: por que parece que estamos todos tão cansados a ponto de precisar de um lugar para reaprender a existir? Porque, sejamos honestos, há algo profundamente estranho na forma como vivemos. Acordamos cansados. Trabalhamos cansados. Dormimos cansados, e isso quando conseguimos dormir. Medimos nosso valor em produtividade, romantizamos exaustão e transformamos colapso...

Ep. 10: Why i love the y2k tv series

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  The Pink Diaries - Ep. 10 Existe uma tragédia silenciosa acontecendo na televisão moderna, e não, não estou falando de finais ruins (embora existam vários crimes imperdoáveis nesse departamento). Estou falando do desaparecimento de algo que talvez tenha feito as séries dos anos 90 e 2000 serem tão inesquecíveis: o tempo. Tempo para desenvolver personagens. Tempo para errar. Tempo para nos fazer amar alguém profundamente antes de destruírem emocionalmente nossa estabilidade. Outro dia, enquanto assistia Criminal Minds pela centésima veze a, e inda me importava genuinamente com o que Spencer Reid estava sentindo, me peguei pensando: quando foi que as séries deixaram de querer companhia e começaram a pedir apenas atenção? Porque existe uma diferença. As séries Y2K queriam que você morasse nelas. Você não apenas assistia Gilmore Girls, você queria viver em Stars Hollow, tomar café no Luke’s, ouvir as referências culturais absurdamente específicas da Lorelai e sentir que fazia parte d...

Ep. 9: Sex, dating and marriage

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  The Pink Diaries - Ep. 9 Outro dia, enquanto observava casais perfeitamente editados no Instagram, daqueles que parecem ter sido montados pela equipe de marketing da felicidade, me peguei pensando: em que momento o amor virou uma linha do tempo corporativa? Primeiro encontro. Primeiro beijo. Pedido de namoro. Sexo. Viagem de casal. Conhecer a sogra. Morar junto. Noivado. Casamento. Filho. Cachorro de porte médio. Apartamento com cozinha americana. Como se amar fosse uma checklist. E então me veio uma pergunta perigosamente inconveniente: existe, de fato, uma ordem certa para os relacionamentos? Ou estamos todos apenas fingindo que sabemos o que estamos fazendo? Porque, sejamos honestos: o amor moderno é uma bagunça organizadamente disfarçada. Durante anos nos venderam três possibilidades quase oficiais. A primeira — talvez a mais popular entre nós, sobreviventes do capitalismo emocional — é a clássica fórmula contemporânea: conhecer, transar, decidir se a pessoa mastiga alto...

Ep. 8: The illusion of modern masculinity

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  The Pink Diaries - Ep. 8 Um dia desses decidi rever a trilogia de filmes "O Senhor dos Anéis", trilogia esta que me acompanha desde a minha infância e que moldou muito a forma que eu enxergo o mundo e nessa maratona fiquei com um sentimento áspero no peito, inquietante e incômodo. Há uma nova estética masculina circulando por aí e, curiosamente, ela fala muito alto sobre força… enquanto se mostra profundamente desconfortável com qualquer forma real de vulnerabilidade. Chamam de disciplina, de autocontrole, de “estoicismo moderno” ( ai, bestie, que piada ).  Eu, honestamente, tenho chamado de um silêncio emocional mal disfarçado de superioridade. O fenômeno não é novo, mas ganhou nome, algoritmo e comunidade: redpill , masculinidade alfa, “homens de alto valor” e/ou incel . Não são termos sinônimos, mas atualmente estão sendo intercambiáveis. Termos que prometem devolver aos homens um suposto poder perdido, algo que eles por algum motivo perderam e esqueceram de procurar, qu...

Ep. 6: The phenomenon of the Netflix lighting

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  The Pink Diaries - Ep. 6 Houve um tempo em que a luz no cinema não servia apenas para iluminar, ela contava segredos, nos instigava a suspender a nossa crença de que aquilo que estávamos assistindo não era meramente imagens em uma tela, e sim algo acontecendo na vida real. Havia sombra onde precisava haver dúvida, contraste onde a emoção exigia conflito, e cor onde a narrativa pedia vida.  Hoje, no entanto, assistindo a boa parte das produções recentes, tenho a estranha sensação de estar presa em uma sala de hospital emocionalmente asséptica: luz branca, fria e completamente vazia. Chamam isso, e por chamam eu quero dizer que li em algumas publicações no Instagram e vi em diversos vídeos do Youtube, com certa naturalidade técnica, de “Netflix lighting”. Eu carinhosamente apelidei de anestesia visual. A proposta até parece razoável: tudo visível, tudo claro, tudo adaptado para qualquer tela — do home theater ou cinema ao celular segurado de forma distraída no metrô. Mas, no p...

Ep. 5: Is it time to go back in time?

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  The Pink Diaries - Ep. 5 Houve um tempo em que acordar significava, simplesmente, abrir os olhos ao som estalado de um despetador de metal, ou até mesmo o cair de pregos preso em uma vela. Hoje, para muita gente, significa desbloquear a tela.  E foi justamente nesse pequeno gesto — quase automático, quase inocente — que eu comecei a desconfiar de que havia algo profundamente errado. Não foi um colapso dramático. Foi mais sutil, algo muito comum nas psicossomatizações.  Minha mente acelerada antes mesmo do café, uma ansiedade sem nome depois de vinte minutos de “só mais um scroll ”, noites em que o sono parecia sempre adiado por um vídeo a mais, uma atualização a mais, uma vida alheia a mais. Até que, em algum momento entre o cansaço e a lucidez, eu fiz algo quase radical: comprei um despertador. Sim, um despertador. Um objeto que parece saído de uma década em que as pessoas ainda acordavam para viver e não para conferir notificações. E, de repente, o meu celular deixou ...

Ep. 4: Why we need to know the horrors of history

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The Pink Diaries - Ep. 4 Há algo desconfortável em sentar para assistir a um filme sabendo que ele não foi feito para entreter — foi feito para lembrar. E " Nuremberg" faz exatamente isso: ele não pede licença, não suaviza, não oferece alívio.  Ele insiste, incomoda, não se limita a arte de entreter. Ambientado no pós-guerra, que, em mim, suscita uma curiosidade quase mórbida, o longa acompanha o psiquiatra Douglas Kelley , interpretado por Rami Malek , encarregado de avaliar a sanidade de líderes nazistas antes de seus julgamentos. Do outro lado dessa relação quase claustrofóbica está Hermann Göring , vivido por Russell Crowe,  um homem que, ao contrário do que talvez gostaríamos de acreditar, não se apresenta como um monstro irracional, mas como algo muito mais perturbador: alguém lúcido, articulado e plenamente consciente. E talvez seja aí que o filme se torna indigesto. Porque seria mais fácil se o mal tivesse sempre a aparência da loucura, se fosse detectável com um t...

Ep. 3: Is art something we need to keep frozen in time?

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  The Pink Diaries - Ep. 3 Existe um tipo de amor que não deveria ser romantizado — mas insistimos em fazê-lo. Talvez porque ele seja mais interessante no papel do que na vida real. Talvez porque o caos, quando bem escrito, pareça poesia.  E poucas obras capturam essa ilusão com tanta precisão quanto O Morro dos Ventos Uivantes , de Emily Brontë . Que, se me permitem dizer, uma das obras clássicas que mais me deixam pensativas e que, por conta da minha fraca resistência, me força a ler e relê-lo com frequência. Não é, nunca foi, uma história de amor bonita. É sobre obsessão, orgulho ferido e destruição emocional em cadeia. Heathcliff não é um herói romântico — é um homem consumido pela própria dor, que decide transformar essa dor em vingança. Catherine, por sua vez, não é uma vítima passiva, na verdade, ela escolhe conforto social em detrimento daquilo que sente, e paga caro por isso.  O resultado? Um romance que não aquece, mas queima. E que, curiosamente, continua sendo...

Ep. 2: Why a woman´s friendships matter

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  The Pink Diaries - Ep. 2 Há algo de silenciosamente revolucionário em uma mesa de bar ocupada por mulheres que riem alto demais. Não é apenas sobre o vinho, nem sobre as histórias que começam com “você não vai acreditar”, mas terminam sempre em alguma forma de sobrevivência.  É sobre o que se constrói ali — quase invisível, porém inquebrável. Durante muito tempo, nos ensinaram que o amor romântico era o grande eixo da vida feminina. O ponto alto. O destino final. Mas ninguém nos avisou, com a mesma ênfase, que são as amigas que nos recolhem quando esse amor falha, quando o trabalho sufoca, quando o espelho devolve dúvidas em vez de certezas. São elas que permanecem quando o resto desmorona, segurando nossas versões mais frágeis com uma delicadeza quase instintiva. Amizades entre mulheres não são apenas encontros casuais ou companhia para o fim de semana — são espaços de reconstrução, momentos de conexões e um círculo íntimo de apoio. É com uma amiga que se aprende que a dor ...