Postagens

Ep. 21: Bare Nails

Imagem
  The Pink Diaries - Episode 21 Há alguns meses, parei de pintar as unhas. Tá, não completamente, mas resolvi poupar os meus neurônios de escolherem uma cor nova toda semana, e comecei a pintar vez ou outra, na maioria das vezes para um evento. Não houve um grande manifesto. Não joguei meus esmaltes no lixo, não fiz um vídeo no TikTok anunciando minha nova fase e, definitivamente, não acordei dizendo: "a partir de hoje, serei adepta do minimalismo estético". Até porque de minimalista pouco sou. Simplesmente aconteceu. Um esmalte lascado virou duas semanas sem esmalte. Duas semanas viraram um mês. E, quando percebi, minhas unhas estavam exatamente como nasceram: curtas, hidratadas, discretas e... estranhamente bonitas? Confesso que gostei. Gostei da praticidade, do tempo que economizei, da sensação de não precisar correr ao salão porque uma pontinha havia descascado, de passar bons minutos escolhendo o esmalte, só para pintar e detestar a cor no segundo seguinte.  Foi então qu...

Ep. 20: Why Are We So Afraid of Being Ordinary?

Imagem
  The Pink Diaries - Episode 20 Outro dia, enquanto deslizava o dedo por uma sucessão infinita de currículos impecáveis, viagens cinematográficas e rotinas matinais que pareciam dirigidas por alguém da Netflix, me ocorreu uma pergunta desconfortável: em que momento ser comum se tornou uma tragédia? Crescemos ouvindo que éramos especiais. Que mudaríamos o mundo. Que bastava sonhar alto e trabalhar duro. Era uma mensagem bonita — e, em certa medida, necessária, afinal, precisamos de algo que nos motive a existir, viver e sonhar. O problema é que ela veio acompanhada de uma condição silenciosa: não bastava ser feliz...  Era preciso ser extraordinário. Então transformamos a vida numa competição involuntária. O emprego não pode ser apenas estável; precisa ser apaixonante e com um salário com muitos zeros. O relacionamento não pode ser apenas tranquilo; deve ser épico, com muitas postagens, flores e presentes. O fim de semana não pode ser apenas agradável; precisa render fotos, hi...

Ep. 19: When Did Home Become a Feeling?

Imagem
The Pink Diaries - Episode 19 Quando eu era criança, casa era uma coisa simples. Tinha paredes específicas, um cheiro familiar e pessoas que eu amava. Casa era o lugar para onde eu voltava depois da escola, onde os problemas pareciam menores, e, na maioria das vezes, maiores e o jantar já tinha hora para acontecer. Mas crescer é descobrir que o conceito de lar se torna estranhamente móvel. De repente, mudamos de cidade. Trocamos de apartamento. Viajamos. Moramos sozinhos. Construímos novas rotinas. Namoramos, noivamos e casamos. E percebemos que a casa da infância continua existindo, mas já não nos pertence da mesma maneira. Nós mudamos. Ela também. Talvez seja por isso que a vida adulta carregue uma saudade tão particular. Não é exatamente das paredes antigas que sentimos falta. É da sensação de pertencimento que elas representavam. Da certeza de que havia um lugar no mundo onde você podia ir, sem maiores preocupações. Hoje, penso que lar pode ser uma mesa de domingo, uma conversa...

Ep. 18: Why Are We Still Calling It “Maturity”?

Imagem
  The Pink Diaries - Episode 18 Quando eu tinha dezesseis anos, ser chamada de “madura para a minha idade” soava como um elogio. Era como se, de repente, eu tivesse recebido um passe VIP para o mundo adulto. Hoje, porém, suspeito que essa seja uma das frases mais perigosamente sedutoras da adolescência. Porque crescer é estranho. Aos dezesseis, dezessete, dezoito anos, queremos ser levadas a sério. Queremos provar que não somos mais crianças. E, nesse contexto, a atenção de alguém muito mais velho pode parecer validação. Afinal, se um homem de trinta e tantos ou quarenta anos ou pior cinquenta anos se interessa por você, não seria essa a prova definitiva da sua maturidade? Talvez não. É claro que nem toda relação com diferença de idade é problemática. Adultos plenamente formados podem construir vínculos saudáveis, profundos e genuínos. O ponto delicado surge quando a juventude deixa de ser um detalhe e passa a ser o principal atrativo. Quando a pouca experiência da outra pessoa é v...

Ep. 17: When We Mistake Intensity for Love

Imagem
  The Pink Diaries - Episode 17 I could have been anyone/ You could have been anyone's dream/ Why did you have to choose our moment?/ Why did you have to make me feel that?/ Why did you make it so unreal?/ Oh, to be in love/ And never get out again - Kate Bush (Oh to be in love) Houve um tempo em que eu acreditava que o amor precisava doer um pouco para ser verdadeiro. Talvez porque, na adolescência, ainda não soubéssemos distinguir paixão de sofrimento, talvez pular nessa linha tênue fosse a graça por trás. Ou talvez porque as histórias que nos acompanharam tenham nos ensinado justamente isso. Cresci assistindo a The Vampire Diaries , Pretty Little Liars e Gossip Girl . E, convenhamos, aqueles romances eram um desastre. Havia ciúmes, segredos, manipulação e diferenças de poder gritantes. Ainda assim, eu os enxergava como o ápice do amor. O caso de Aria e Ezra, por exemplo, parecia poético aos meus olhos adolescentes. Hoje, porém, é impossível ignorar o quanto era problemático ver...

Ep. 16: What happens when your life finally begins

Imagem
  The Pink Diaries - Episode 16 Quando eu era criança, acreditava que a vida adulta começaria de forma muito específica. Eu pensava que começasse no dia da minha formatura ou quando eu recebesse meu primeiro salário. Melhor ainda, começaria quando eu me casasse, que, na minha cabeça de 5 anos, aconteceria quando eu fizesse 18. Eu não sabia exatamente qual seria o marco, mas tinha certeza de uma coisa: haveria um momento. Uma espécie de transição cinematográfica, talvez? Como nos filmes em que a protagonista finalmente chega ao capítulo principal da sua história. E então a vida começaria de verdade. Mas recentemente percebi uma coisa estranha. A vida adulta não chega, não faz anúncio e nem tem trilha sonora. Não existe um narrador dizendo: "Parabéns, você desbloqueou a fase principal da existência." Você simplesmente acorda numa terça-feira qualquer e percebe que ela já começou. E talvez esse seja um dos maiores choques da vida adulta. Passamos anos nos preparando para viver. ...

Ep. 15: Have we turned our lives into never-ending projects

Imagem
  The Pink Diaries - Episode 15 Outro dia, antes mesmo de sair da cama, eu já tinha falhado. Pelo menos foi essa a sensação. Abri o Instagram e, em menos de cinco minutos, descobri que alguém já tinha corrido cinco quilômetros, outra pessoa já tinha meditado por vinte minutos, uma terceira estava lendo um livro sobre investimentos e uma quarta compartilhava sua rotina matinal perfeitamente organizada às 5h17 da manhã. E eu? Eu estava negociando comigo mesma a coragem necessária para levantar e escovar os dentes. Foi então que me ocorreu um pensamento incômodo: e se a nossa geração não estiver vivendo a vida, mas gerenciando-a? Porque tudo parece ter se transformado em projeto. O corpo é um projeto. A carreira é um projeto. Os relacionamentos são projetos. A saúde mental é um projeto. Os hobbies são projetos. A felicidade é um projeto. E, sinceramente, estou começando a achar isso exaustivo. Existe uma obsessão contemporânea por otimização. Não basta praticar exercícios porque você ...