Ep. 19: When Did Home Become a Feeling?

The Pink Diaries - Episode 19

Quando eu era criança, casa era uma coisa simples. Tinha paredes específicas, um cheiro familiar e pessoas que eu amava. Casa era o lugar para onde eu voltava depois da escola, onde os problemas pareciam menores, e, na maioria das vezes, maiores e o jantar já tinha hora para acontecer.

Mas crescer é descobrir que o conceito de lar se torna estranhamente móvel.

De repente, mudamos de cidade. Trocamos de apartamento. Viajamos. Moramos sozinhos. Construímos novas rotinas. Namoramos, noivamos e casamos. E percebemos que a casa da infância continua existindo, mas já não nos pertence da mesma maneira. Nós mudamos. Ela também.

Talvez seja por isso que a vida adulta carregue uma saudade tão particular. Não é exatamente das paredes antigas que sentimos falta. É da sensação de pertencimento que elas representavam. Da certeza de que havia um lugar no mundo onde você podia ir, sem maiores preocupações.

Hoje, penso que lar pode ser uma mesa de domingo, uma conversa que dura horas com minhas amigas, uma xícara de café compartilhada com meu namorado ou a voz de alguém que nos conhece antes mesmo de terminarmos uma frase. Pode ser uma amizade antiga, um parceiro amoroso ou até a tranquilidade de finalmente estarmos em paz com a própria companhia.

É curioso: passamos boa parte da juventude sonhando em partir, apenas para descobrir, mais tarde, que estamos sempre procurando um caminho de volta, a nossa volta, algo que nos aconchegue e acolha nos momentos de dificuldade. 

Não necessariamente para um lugar geográfico, mas para um sentimento, sentimento este que me era desconhecido, infelizmente, mas que eu sempre sonhara.

E talvez essa seja a grande surpresa da vida adulta: compreender que lar não é apenas onde moramos. É onde podemos abaixar a guarda. Onde deixamos de performar. Onde não existe ordem ou reconhecimento mediante notas/méritos. Onde somos acolhidos em nossa versão mais ordinária.

Onde podemos existir e pertencer sem precisar "merecer". Ser amado por ser quem você é, sem rodeios, sem se esconder.

Então me pergunto, como Carrie Bradshaw provavelmente faria: se passamos a vida inteira tentando construir uma casa, será que não deveríamos construir lares nos lugares que nos acolhem?

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