Ep. 20: Why Are We So Afraid of Being Ordinary?

 

The Pink Diaries - Episode 20

Outro dia, enquanto deslizava o dedo por uma sucessão infinita de currículos impecáveis, viagens cinematográficas e rotinas matinais que pareciam dirigidas por alguém da Netflix, me ocorreu uma pergunta desconfortável: em que momento ser comum se tornou uma tragédia?

Crescemos ouvindo que éramos especiais. Que mudaríamos o mundo. Que bastava sonhar alto e trabalhar duro. Era uma mensagem bonita — e, em certa medida, necessária, afinal, precisamos de algo que nos motive a existir, viver e sonhar. O problema é que ela veio acompanhada de uma condição silenciosa: não bastava ser feliz... 

Era preciso ser extraordinário.

Então transformamos a vida numa competição involuntária. O emprego não pode ser apenas estável; precisa ser apaixonante e com um salário com muitos zeros. O relacionamento não pode ser apenas tranquilo; deve ser épico, com muitas postagens, flores e presentes. O fim de semana não pode ser apenas agradável; precisa render fotos, histórias e, de preferência, uma certa inveja alheia.

Mas a verdade inconveniente é que a maior parte da existência é feita de coisas comuns. De cafés tomados às pressas. De contas pagas em dia. De conversas repetidas com as pessoas que amamos. E, ao menos para mim, há mais beleza nisso do que gostaríamos de admitir.

Porque o ordinário não é o oposto de uma vida significativa. Na verdade, é o lugar onde ela acontece.

Tenho a impressão de que confundimos grandeza com visibilidade. Como se uma vida só merecesse ser celebrada quando pudesse ser transformada em legenda. No entanto, algumas das pessoas mais admiráveis que conheço levam vidas absolutamente comuns. Trabalham, amam, cuidam da família, honram suas amizades e seguem em frente sem plateia. E, por Deus, não consigo imaginar isso como sem graça ou como uma vida que não vale a pena ser vivida.

Talvez o medo de ser ordinário esconda outro medo: o de que nossa existência passe despercebida. Mas quem decidiu que ser visto por muitos é a única forma de importar?

No fim das contas, suspeito que a coragem da vida adulta seja justamente esta: aceitar que uma vida boa não precisa ser extraordinária o tempo inteiro. Ela só precisa ser verdadeiramente sua.

E então me peguei pensando: se passamos tanto tempo tentando ser excepcionais, será que estamos deixando escapar a beleza discreta de sermos simplesmente humanos?

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