Ep. 17: When We Mistake Intensity for Love

 

The Pink Diaries - Episode 17

I could have been anyone/ You could have been anyone's dream/ Why did you have to choose our moment?/ Why did you have to make me feel that?/ Why did you make it so unreal?/ Oh, to be in love/ And never get out again - Kate Bush (Oh to be in love)

Houve um tempo em que eu acreditava que o amor precisava doer um pouco para ser verdadeiro. Talvez porque, na adolescência, ainda não soubéssemos distinguir paixão de sofrimento, talvez pular nessa linha tênue fosse a graça por trás. Ou talvez porque as histórias que nos acompanharam tenham nos ensinado justamente isso.

Cresci assistindo a The Vampire Diaries, Pretty Little Liars e Gossip Girl. E, convenhamos, aqueles romances eram um desastre. Havia ciúmes, segredos, manipulação e diferenças de poder gritantes. Ainda assim, eu os enxergava como o ápice do amor. O caso de Aria e Ezra, por exemplo, parecia poético aos meus olhos adolescentes. Hoje, porém, é impossível ignorar o quanto era problemático ver uma aluna se envolver com o próprio professor (anos mais velhos, by the way) e isso ser apresentado como um romance a ser torcido.

Talvez seja inevitável: quando somos muito jovens, amamos com o repertório que temos e que conhecemos. Às vezes nos apaixonamos pela pessoa errada simplesmente porque ainda não conhecemos algo melhor. Aceitamos menos do que merecemos porque ainda estamos aprendendo o que é respeito, cuidado e reciprocidade. Não é burrice; é inexperiência. E, embora relacionamentos ruins possam deixar cicatrizes, eles também nos ensinam a reconhecer o que não queremos repetir.

Hoje me preocupa ver, nas redes sociais, a romantização de casamentos e gestações precoces como se fossem provas definitivas de maturidade ou felicidade. Não há nada de errado em desejar formar uma família jovem. O problema surge quando experiências tão complexas são transformadas em estética, em conteúdo aspiracional, sem espaço para as dificuldades, renúncias e responsabilidades que as acompanham.

Talvez crescer seja justamente isso: perceber que o amor não precisa ser caótico para ser profundo. E me pergunto se, no fundo, não passamos a adolescência inteira aprendendo a desaprender as histórias românticas que um dia juramos querer viver.

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