Ep. 14: Dreams, Deadlines and the Distance Between Them
The Pink Diaries - Ep. 14
Recentemente, me peguei fazendo algo que acredito ser um esporte olímpico da vida adulta: calculando o futuro. Eu estava deitada na cama, pronta para dormir, quando comecei a fazer contas mentais que ninguém havia me pedido para fazer.
Quantos anos até concluir uma pós-graduação?Detalhe, ainda nem terminei o curso.
Quanto tempo até construir uma carreira sólida?E eu ainda estou nos estágios obrigatórios.
Quanto tempo até comprar uma casa? Quanto tempo até viajar para todos os lugares que quero conhecer?Quanto tempo até ter filhos?Quanto tempo até proporcionar aos meus pais a tranquilidade que eles merecem?
E, de repente, o sono foi embora, e a cada dia que se passa, mais insône eu me torno. Porque existe algo profundamente angustiante em perceber que os sonhos que carregamos no coração cabem em uma lista, mas não cabem em um calendário.
Tenho muitos sonhos.
Sonho em me tornar uma profissional bem-sucedida. Não apenas no sentido financeiro, embora eu admita que pagar boletos sem sentir uma pequena ameaça existencial pareça maravilhoso, mas no sentido de construir uma carreira da qual eu possa me orgulhar.
Sonho em ter um casamento feliz. Daqueles que sobrevivem não apenas aos grandes momentos, mas principalmente às pequenas segundas-feiras da vida. Que, ao final da vida, eu sinta o sentimento de que compartilhei a vida com alguém que estava realmente do meu lado.
Sonho em conhecer o mundo. Caminhar por ruas que ainda não conheço. Ouvir idiomas que não entendo. Me perder em cidades novas e me encontrar nelas. Ter a oportunidade de conhecer novas culturas, povos e pessoas.
Sonho em continuar estudando. Fazer outra graduação, duas a mais talvez. Um mestrado e, se eu me aprofundar nos meus sonhos, um doutorado. Sonho em ter filhos. Um, dois ou três? Ainda não sei dizer. Talvez eu sonhe com uma família grande, em uma casa grande. Poder ser uma verdadeira matriarca. Sonho em manter minhas amizades vivas mesmo quando a vida inevitavelmente nos puxar para direções diferentes. Levá-las em todos os percursos da existência... Sonho em oferecer aos meus pais uma velhice tranquila, confortável e digna, como uma forma modesta de agradecer por tudo que fizeram por mim.
É uma lista extensa, ambiciosa e... Bonita. Mas assustadora também.
Porque, quando olho para ela, às vezes tenho a sensação de estar parada na base de uma montanha observando o topo desaparecer entre as nuvens.
E então a ansiedade aparece. Não exatamente porque duvido dos meus sonhos, mas talvez eu duvide, não sei. Mas porque duvido do tempo.
Porque vivemos em uma época que transformou a realização em corrida. Todo mundo parece estar chegando em algum lugar. Alguém já comprou um apartamento. Alguém já terminou o doutorado. Alguém já teve filhos. Alguém já abriu uma empresa. Alguém já conquistou aquilo que você ainda está tentando construir.
E a comparação é uma narradora cruel e inconstante. Ela nunca mostra o caminho. Mostra apenas a linha de chegada, junto com o péssimo hábito de movê-la mas para frente.
O que ninguém conta é que os sonhos têm uma parte extremamente inconveniente: eles dependem de processo.
E processo raramente é bonito.
O processo é estudar quando ninguém está vendo. É economizar quando você gostaria de gastar. É dizer "ainda não" para coisas que você quer muito. É aceitar que algumas conquistas levam anos para amadurecer.
Vivemos apaixonados pela ideia da colheita e profundamente impacientes com o tempo da plantação. Queremos o diploma, mas não os semestres. Queremos o casamento, mas não o aprendizado necessário para construir uma relação saudável. Queremos a estabilidade financeira, mas não os anos de trabalho que a antecedem.
Queremos a versão final da história sem precisar passar pelos capítulos intermediários. Talvez porque os capítulos intermediários sejam silenciosos. Não recebem aplausos, nem rendem fotos impressionantes. Ninguém publica uma foto dizendo: "Hoje dei mais um pequeno passo em direção a um objetivo que provavelmente vou alcançar daqui a dez anos."
Mas a verdade é que a vida acontece justamente aí.
No meio, no intervalo entre quem somos e quem esperamos nos tornar.
E é isso que eu deva aprender. Porque existe uma arrogância silenciosa na ansiedade, ela nos convence de que já deveríamos estar vivendo o futuro. Como se o presente fosse apenas uma sala de espera. Mas e se não for?E se esta fase, com todas as dúvidas, limitações, inseguranças e imperfeições, também for parte do sonho?
Porque, olhando com honestidade, percebo que muitas das coisas que desejo exigem exatamente aquilo que estou vivendo agora. A profissional que quero ser está sendo construída nas horas de estudo de hoje. A pesquisadora que sonho me tornar começa nos textos que leio agora e argumentos que eu questiono no dia a dia. A mãe que um dia talvez eu seja está sendo moldada pelas relações que construo hoje. Até a filha que deseja cuidar dos pais no futuro precisa aprender, primeiro, a cuidar da própria vida.
Nada disso acontece de uma vez e, bom, quem sabe isso não seja uma sorte que não aconteça. Porque algumas conquistas não chegam quando estamos prontos. Elas chegam justamente porque o caminho nos preparou para recebê-las.
Então me pergunto se a ansiedade que sinto não nasce de uma tentativa impossível de acelerar o tempo. Como se eu pudesse pular capítulos, como se a vida fosse um livro e eu estivesse tentada a ler apenas a última página.
Mas ninguém se apaixona por uma história por causa do final. Apaixonamo-nos pelo percurso, pelos obstáculos.... Pela pessoa que o protagonista se torna ao longo da jornada.
E se essa lógica se aplicar a nós?
Então, enquanto observava a distância entre a mulher que sou e a mulher que sonho ser, me ocorreu uma pergunta: e se o verdadeiro propósito dos sonhos não for nos levar mais rápido até algum lugar, mas nos dar uma direção enquanto aprendemos a apreciar a estrada?
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