Ep. 13: Are we really suffering from FOMO?

 


The Pink Diaries - Ep. 13

Há alguns dias , me peguei encarando uma sequência de stories numa tardezinha qualquer da minha vida. Uma amiga estava em um evento, com outras amigas que temos em comum. Um grupo inteiro estava reunido em uma mesa que, aparentemente, eu nem sabia que existiria.

E, por um instante, aquela sensação familiar apareceu. Aquela pequena fisgada, aquela pergunta silenciosa que talvez seja uma das mais dolorosas da vida adulta: "Por que ninguém me chamou?"

Como uma pessoa que ama passear, experimentar lugares novos, conversar por horas e transformar um café aleatório numa discussão filosófica sobre a vida, confesso que isso me atinge mais do que gostaria, afinal, sou humana como todos os que leem essas linhas sem sentido algum.

Porque não é apenas sobre perder um evento. É sobre a sensação de não ter sido considerada.

De perceber que algumas pessoas lembram de você quando precisam de ajuda, de um conselho, de alguém para ouvir seus dramas amorosos durante três horas seguidas (a sina da amiga psicóloga, imagino) mas não necessariamente quando querem se divertir.

E existe uma diferença enorme entre essas duas coisas. Ser necessária não é a mesma coisa que ser desejada. Talvez essa seja uma das lições mais cruéis da vida adulta.

Pior ainda quando você tenta fazer o movimento contrário. Você sugere um café, ou marca um almoço, ou, sei lá, organiza um encontro em casa. E então começam as mensagens.

"Não vou conseguir."

"Imprevisto."

"Semana corrida."

"Vamos remarcar?"

E, de repente, aquele encontro nunca acontece. É difícil não interpretar isso como rejeição. Difícil não pensar que talvez exista algo errado com você.

"Talvez eu realmente more longe demais"

"Talvez eu não seja tão interessante quanto eu penso que sou"

"Será que realmente faço parte do grupo, ou é mais pena que me mantém ali?"

Mas será que existe mesmo? Será que esses pensamentos são verdadeiros? Ou será que estamos vivendo em uma época em que todo mundo está tão ocupado tentando viver que ninguém consegue estar verdadeiramente presente?

Foi pensando nisso que comecei a refletir sobre uma palavra que virou praticamente patrimônio emocional da nossa geração: FOMO.

Fear of Missing Out.

O medo de estar perdendo alguma coisa. O medo de que exista uma festa melhor. Uma viagem melhor. Uma amizade melhor. Uma oportunidade melhor. Uma versão melhor da vida acontecendo em outro lugar.

Enquanto você está aqui.

Parado.

Assistindo tudo por uma tela.

Os millennials falam sobre isso. A Geração Z fala sobre isso. Os criadores de conteúdo falam sobre isso. Os psicólogos falam sobre isso. Todo mundo parece concordar que estamos sofrendo coletivamente com a sensação de estar ficando para trás.

Mas talvez ninguém esteja fazendo a pergunta que realmente importa: Estamos sofrendo porque estamos perdendo experiências ou porque acreditamos que deveríamos estar vivendo todas elas?

Porque existe uma diferença importante. Quando eu era adolescente, eu não sabia o que meus amigos faziam em todos os finais de semana. Hoje eu sei. E talvez esse seja o problema.

E mais e mais vezes me questiono se eu não deveria apagar todas as redes sociais e manter somente o WhatsApp... Enfim, isso é temática para uma outra coluna.

Voltando ao que interessa... Não porque as redes sociais criaram a exclusão. Mas porque elas tornaram a exclusão visível. Antes, você podia ficar em casa sem imaginar que existia um churrasco, uma festa ou um happy hour acontecendo.

Agora você assiste tudo em tempo real. Em alta definição. Com música de fundo. E legendas engraçadas.

A vida dos outros se transformou em uma transmissão ao vivo daquilo que você não está vivendo. E isso produz uma sensação estranha.

Como se a felicidade estivesse sempre acontecendo do lado de fora. Em outro lugar. Com outras pessoas. Sem você.

Mas quanto mais penso sobre isso, mais me pergunto se o FOMO não está nos fazendo esquecer uma verdade fundamental: a vida nunca aconteceu em todos os lugares ao mesmo tempo.

Mesmo a pessoa mais sociável do mundo perde eventos. Perde encontros. Perde histórias. Perde oportunidades...  A diferença é que agora ela tem provas fotográficas disso.

E talvez seja por isso que estamos tão angustiados. Não porque estamos vivendo menos,mas porque estamos assistindo demais, vidrados demais nesse bloquete em nossas mãos. Existe uma expectativa silenciosa de que uma vida bem vivida precisa estar sempre cheia.

Cheia de viagens.

Cheia de pessoas.

Cheia de planos.

Cheia de movimento.

Mas e se viver não for apenas isso? E se existir valor nas noites em que nada acontece? Nos domingos silenciosos? Nos cafés tomados sozinho? Nas caminhadas sem destino? Nas horas em que somos obrigados a encarar nossos próprios pensamentos?

Porque, honestamente, algumas das conversas mais importantes da minha vida não aconteceram com outras pessoas. Aconteceram comigo mesma, e talvez seja loucara demais assumir isso em voz alta, mas o que eu posso fazer? É a mais pura verdade.

E talvez essa seja uma das maiores ironias da vida contemporânea. Passamos tanto tempo tentando evitar a solidão que esquecemos que ela também pode ser um lugar de encontro.

Não estou falando daquela solidão que machuca, daquela que nasce da exclusão, do abandono ou da ausência de vínculos. Essa dói e muito. E justamente por isso deve ser tratada com profissionais da saúde mental.

Estou falando da outra. Da solidão que nos permite existir sem plateia. Sem performance, sem precisar ser interessante o tempo inteiro, sem precisar transformar cada experiência em memória compartilhável. Ou talvez essa solidão possa ser compartilhada com aquela pessoa especial, que te entende e que nunca te deixaria de lado.

Porque talvez nem todo momento precise ser extraordinário para ter valor. Talvez nem toda sexta-feira precise render uma história, nem toda noite precise ser registrada.

Talvez nem toda ausência signifique rejeição. E talvez — apenas talvez — a vida aconteça justamente nos espaços entre os grandes acontecimentos, nesses intervalos e pausas quando ninguém está olhando.

Então, enquanto observava aqueles stories naquele dia aleatório, me ocorreu uma pergunta que Carrie Bradshaw provavelmente transformaria em coluna: e se o verdadeiro medo não for estar perdendo a vida... mas descobrir que a vida também acontece quando ninguém nos convidou para sair?

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